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Entenda como funciona um fundo de investimento

Um fundo de investimento é como uma festa: há uma pessoa responsável para organizar o dinheiro dos participantes e atingir o objetivo final.

Entenda como funciona um fundo de investimento


As festas de fim de ano estão chegando e são sempre as mesmas histórias. Escolhemos as pessoas que vão ser responsáveis em organizar os eventos mais significativos do ano, o Natal e a festa da virada, aguardamos ansiosamente pelo encontro e torcemos para tudo correr bem. Por mais que possa não parecer, existe uma relação bem próxima entre as festas e os fundos de investimentos.

Claro que não estamos falando da parte de dissonância, mas sim em relação a alguns aspectos bem específicos de organização e divisão de tarefas. Desse modo, aproveitando o clima de fim de ano que já está no ar – a data da produção deste conteúdo para o Natal de 2021 são exatos 60 dias – vamos aprender como fazer renda passiva.

Sem mais delongas, neste artigo vou te ensinar como funciona um fundo de investimento para que você que está ou quer entrar no mundo dos mercados capitais possa se organizar e planejar o maior presente de natal para você e sua família, a liberdade financeira.






O que você vai aprender:






O que é um fundo de investimento?

Muitas pessoas gostam de relacionar o funcionamento de um fundo de investimento com condomínios. Entretanto, aqui iremos fazer uma referência um pouco diferente, vamos fazer uma analogia direta às festas. Sabe quando está chegando o fim de ano e a sua família começa a organizar o jantar de natal? Provavelmente sempre há aquela pessoa que fica responsável em recolher o dinheiro e as que vão ajudar na preparação de tudo.

Assim como em festas, os fundos também possuem pessoas que são responsáveis em gerir e administrar o dinheiro dos investidores. Ou seja, o fundo nada mais é que uma reunião de aplicações feita por diversos investidores que será gerenciado por uma empresa ou profissional especializado com objetivo de obter uma rentabilidade utilizando da aplicação dos investimentos feitos pelos cotistas – nome específico dado aos investidores do fundo.



Para que os fundos de investimentos servem

Em termos gerais, os fundos têm como objetivo ganhos financeiros. Para que isso aconteça, as partes responsáveis pela organização do fundo de investimento desempenham um papel em tempo integral para a otimização e o aumento da rentabilidade estudando e fazendo as alocações dos investimentos em diferentes tipos, esses que falaremos logo à frente.



Partes que compõem um Fundo de Investimento

Agora que você já sabe o que é e para que serve um fundo de investimento, é preciso compreender quais são as partes que compõem a estrutura da organização do fundo. Fique bem atenta a esses detalhes, pois eles serão partes importantíssimas para que seu investimento valha a pena.



Administrador (Escriturador)

O administrador ou a empresa administradora é a parte responsável em manter a informação mais acessível aos cotistas. Além disso, essa é a parte que organiza o fluxo de caixa, controla as cotas e defende o lado dos investidores no fundo.



Gestor (Assets) 

Aqui podemos nos referir a uma pessoa responsável, uma empresa ou um grupo de especialistas em investimentos e finanças que fazem o processo de selecionar os investimentos que serão realizados pelo fundo. A reputação deste grupo/pessoa deve ser muito boa, porque ele será o responsável em gerir o seu rico dinheiro.



Distribuidor

Os distribuidores são as empresas que, literalmente, fazem a distribuição das cotas. Então, você pode pensar em corretoras, bancos e instituições às quais você pode comprar uma cota. Elas fazem a ligação entre o fundo e o investidor, além disso são responsáveis em atender as dúvidas e demandas dos mesmos.



Custodiante

Empresa a qual é contratada para manter os investimentos seguros, desse modo, ela é quem guarda os ativos do fundo.



Auditor

Ter um auditor independente é um requisito básico exigido para a legalidade de um fundo. A existência desta parte é para que sejam analisados os resultados e demonstrativos financeiros a fim de evitar fraudes e, assim, proteger o patrimônio do investidor.



Cotista

Por fim, o cotista!

Essa parte é você, o investidor que irá adquirir a cota, ou seja, irá comprar o direito a uma fração dos lucros obtidos naquele investimento. O papel do cotista é selecionar bons fundos para que possa obter bons resultados. 



Tipos de Fundos de Investimentos

De acordo com o relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), “em setembro, os fundos de investimento registraram captação líquida de R$22,1 bilhões, acumulando no ano saldo de R$390,6 bilhões”. Essa grande cifra nos investimentos mostra como o brasileiro tem se dedicado a obter novas formas de renda. 

Entretanto, só se pode fazer boas escolhas de fundos quando você possui o conhecimento dos tipos e das classificações que eles possuem, como verá a seguir.



Fundo aberto x Fundo fechado

Essa informação se trata a respeito de como são feitas as negociações de cada fundo. Essa aqui é uma característica mais geral, podendo estar presente em qualquer um dos tipos que falaremos a seguir.

O Fundo aberto é aquele que suas cotas são negociadas a todo momento, de modo que sempre serão criadas novas cotas. Por exemplo, se você quer comprar 10 cotas hoje, essas 10 cotas serão criadas no momento da sua compra, sendo assim, fundos com essa característica possuem cotas ilimitadas.

O Fundo Fechado é limitado, logo, ao realizar a abertura das negociações a organização do fundo disponibilizará uma quantidade limitada de cotas que seja o suficiente para suprir as suas necessidades. Feito isso, as cotas dessa categoria serão negociadas apenas no mercado secundário, entre os investidores.



Os 6 tipos de fundos

Entenda como funciona um fundo de investimento?

Os fundos possuem tipos que fazem com que tenham riscos diferentes e características específicas. Esses tipos vão te auxiliar a entrar em fundos que estejam mais alinhados ao seu perfil de investidor, pois, mesmo sendo considerados um investimento de baixo risco, os fundos também se ajustam melhor a determinados tipos de perfis.



Fundo de Investimento de Renda Fixa

  • Simples: São fundos em que pelo menos 95% dos seus ativos são alocados em títulos públicos ou em ativos com o mesmo nível de confiabilidade e segurança.
  • Exterior:  Fundo com pelo menos 40% dos ativos alocados fora do Brasil.
  • Indexados/Referenciado: São os que seguem algum benchmark como CDI, IGPM, IPCA, IMAB, etc.


Benchmark é um indicador que o mercado utiliza para se basear e avaliar o desempenho de um investimento.

  • Ativos: estes são os ativos mais livres, não possuem uma regra de temporalidade, podendo ser de curto, médio ou longo prazo. Além disso, como não possuem um indexador ou regra delimitante, os gestores podem fazer movimentações na carteira.
  • Renda fixa dívida externa: investem no mínimo 80% em títulos da dívida externa do país.


Fundo de Investimento de Ações

São os fundos que são baseados em ações, podendo ser ativos –podem ter ou não um indexador a ser superado ou seguido. Além disso, são mais livres para mudanças na carteira. Os indexados, que basicamente possuem um índice a ser replicado e o restante é colocado em renda fixa e/ou de baixa duração. Podem ser um fundo com aplicações no exterior, com no mínimo de 40% de aplicações fora do Brasil; ou, podem ser específicos, seguindo estratégias próprias.



Fundo de Investimento Multimercados

Neste tipo de fundo o gestor possui a liberdade de fazer escolhas que julgar mais efetivas e lucrativas para o fundo. Neste tipo de fundo de investimento não há uma regra de porcentagem que ele deve seguir para cada tipo de ativo que irá adicionar na carteira do fundo.



Fundo de Investimento Cambial

Fundos de Investimento em câmbio devem ter no mínimo 80% do seus ativos atrelados às oscilações de moedas estrangeiras. O restante não aplicado em moedas estrangeiras deve ser direcionado a apenas renda fixa.



Fundo de Investimento de Curto Prazo

Esses são os fundos cuja carteira possui uma temporalidade curta, portanto, isso significa que os ativos que compõem esse tipo de fundo devem ter o prazo médio inferior a 60 dias e nenhum ativo pode ter o prazo superior ao de 365 dias.



FII

Os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) são aqueles que possuem seus investimentos voltados exclusivamente para o setor imobiliário, como o próprio nome já diz. Este tipo de investimento é o que mais nos remete a analogia ligada ao condomínio, pois aqui, você receberá suas bonificações que podem vir de fato dos aluguéis pagos por inquilinos. Esse tipo de Fundo pode ser dividido em 3:



  • Fundo de Investimento Imobiliário de Papel


São os FIIs que possuem seus ativos atrelados a papéis, como se você estivesse emprestando o seu dinheiro para que pudesse ser repassado para investimentos e empréstimos na área imobiliária. O fundo irá receber o retorno acima desses empréstimos. Os papéis que são atrelados a estes fundos podem ser Letras de Crédito Imobiliários (LCI) ou Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI).



  • Fundo de Investimento Imobiliário de Tijolo


Os fundos de tijolos são aqueles que de fato investem em espaços físicos, ou seja, você estará investindo em algo que é físico e receberá seu retorno de acordo com o recebimento dos aluguéis que a organização do fundo arrecadar. Alguns exemplos de espaços são shoppings, galpões, condomínios comerciais e residenciais.



  • Fundo de Investimento Imobiliário Híbrido


O fundo híbrido é aquele que faz a união dos dois tipos de fundos citados anteriormente.



Vantagens e desvantagens dos fundos de investimentos

Como nem tudo é perfeito, os fundos de investimentos também possuem as suas vantagens e desvantagens. No geral, o número de pontos positivos é superior ao de pontos negativos. Veja a seguir:



VantagensDesvantagens

Acessibilidade: os fundos são formas mais acessíveis e práticas para que investidores que não possuem conhecimentos avançados obtenham bons retornos, pois são fáceis de ser adquiridos, não possuem custo alto e nem muitas particularidades.

Diversificação: devido às suas características, os fundos facilitam a diversificação, o que já sabemos que é algo necessário para bons investimentos.

Gestão Profissional: muitos investidores não possuem um conhecimento avançado de mercado. Nos fundos você encontra uma gestão altamente profissional e dedicada. Alguns fundos contam com os trabalhos de ex-presidentes de bancos e, até mesmo, de ex-ministros da economia.

Foco em comum: um ponto interessante é que a gestora ganha quando obtém resultados superiores ao que ela promete, deste modo, o foco é superar essas projeções e obter mais lucros para você e consequentemente para ela.

Liquidez: há fundos com uma liquidez bem curta, ou seja, o prazo para resgate é curto e isso é muito bom para quem preza por essa liberdade.
Sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito: um problema que o FI tem é a não cobertura integral pelo Fundo Garantidor de Crédito. Porém, mesmo o fundo não sendo, os ativos que estão dentro dele podem ser e isso é algo bom.

Carência: Alguns fundos podem exigir um tempo de resgate longo, o que pode fazer o seu dinheiro ter que ficar ali mais tempo que você queira.

Informação: pode haver uma escassez de informações sobre fundos por falta de divulgação das administradoras. Por isso é importante verificar quem faz a administração do fundo em que você aplicou o seu dinheiro e puxar o histórico da transparência do mesmo. 

*O FGC é uma associação civil sem fins lucrativos que tem como finalidade resguardar e proteger os investidores em âmbito nacional de possíveis crises bancárias.



Quais são os Riscos, Taxas e pontos de atenção de um Fundo de investimento

Como vimos anteriormente, existem muitos pontos positivos que valem a pena a entrada em fundos de investimentos. Porém, o lado negativo é a exposição, essa que é bem moderada a baixa neste estilo de investimento. Para que você possa sair deste artigo preparado para efetuar boas escolhas, vou detalhar alguns pontos importantes.



Riscos

Podemos listar 3 principais riscos inerentes aos fundos de investimentos, sendo eles: 

  • Risco de Crédito: que nada mais é que a possibilidade do fundo falir, o que é reflexo da má administração. O lado bom é que são raras as distribuidoras que ofertam fundos que correm este risco.
  • Risco de mercado: está ligado à montanha-russa da economia, logo não é algo que podemos ter controle.
  • Risco de Liquidez: ao escolher o fundo que irá investir, você deve se atentar à liquidez que ele oferece. Curto prazo é igual a alta liquidez, assumir investimentos com baixa liquidez pode gerar problemas futuros para você.


Taxas 

Os fundos podem cobrar algumas taxas para custear as demandas administrativas, algo que faz sentido, afinal, é necessário fazer a remuneração dessas pessoas. Entretanto, você deve ficar atento para que estas taxas não acabem consumindo seus lucros. Essas são as taxas que você pode ver por aí:

  • Taxa de Administração;
  • Taxa de Performance;
  • Taxa de Gestão;
  • Taxa de Gerenciamento;
  • Taxa de Consultoria.

As duas primeiras são as mais comuns, a de administração, geralmente gira em torno de 0,20% e 1% ao ano (a.a). A taxa de performance é definida ou baseada em um indexador ou estipulada pela organização do fundo.



Pontos de atenção: Impostos

Os fundos possuem algumas particularidades em relação ao pagamento de impostos, sendo eles o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O IOF é cobrado de forma gradativa, passando de 96% a 0% para retiradas dentro de 30 dias. Ou seja, se fizer um investimento hoje e retirar o seu dinheiro antes de 30 dias, você pagará o IOF. O lado bom é que quanto mais tempo deixar seu dinheiro lá, menor será o valor que após 30 dias será zerado.

Ao que diz respeito ao IR temos algumas particularidades. Começamos que as regras são diferentes entre eles:

Os Fundo Imobiliários são isentos de imposto de renda e pagam uma alíquota de 20% acima da valorização das cotas.

Demais fundos pagam imposto conforme o prazo de investimento, desta forma eles seguem uma padronização, uma tabela que é calculada de forma regressiva: quanto mais tempo, menor o imposto. O imposto de renda é incidido acima da rentabilidade dos fundos.



Até 180 dias de aplicação22,5%
De 180 a 360 dias de aplicação20%
De 361 a 720 dias de aplicação17,5%
Acima de 720 dias de aplicação15%


Lembre-se de ficar atento à sua declaração de imposto de renda, pois ela é muito importante em diversos aspectos. Além disso, o assunto imposto de renda merece uma atenção especial sua.







Como escolher um fundo de investimento

Como citamos lá no começo do artigo, o papel do cotista é escolher bons fundos para que sua carteira cumpra com o objetivo definido para ela. Entretanto, como fazer essa seleção de forma efetiva? Ao contrário do que aparenta, selecionar bons fundos é muito mais tranquilo do que se imagina.

Para essa seleção você usa de uma análise fundamentalista, ou seja, você se baseará em fundamentos e informações para escolher fundos que irão ter bons retornos. Para isso é preciso verificar pontos como:



  • Valor patrimonial: se trata do cálculo que irá dar o valor contábil de uma empresa. Em resumo, é o seguinte cálculo:  Valor Patrimonial (VP) = Patrimônio Líquido(PL) / Número de cotas. Geralmente, VP menor que o valor de mercado é um bom sinal.


Valor de mercado é o valor que o fundo/ativo está sendo negociado em determinado momento

  • Vacância: um ponto importante a ser avaliado em FIIs, pois aqui você irá olhar se os FIIs de tijolos possuem inquilinos em seus espaços. Afinal, sem inquilino a probabilidade de receber bons retornos é baixa, não é mesmo?


  • Dividend Yield: ou DY, é um indicador que mostra quanto um fundo está retornando ao seus investidores em relação ao investimento que nele foi feito.


  • Tipo de fundo: como você viu anteriormente, há diversos tipos de fundo e avaliar esse ponto é importante para você analisar o que é bom para o seu perfil e interesses.


  • Classificação de Risco: Alguns fundos possuem mais agressividade ou são mais conservadores, sempre veja esse ponto antes de sair comprando cotas.


  • Prazo de resgate: a liquidez é muito importante, pois fundos com baixa liquidez podem trazer problemas. Optar por fundos com prazo de resgate menores ajudam a minimizar possíveis riscos de deixar seu dinheiro ‘congelado’.




  • Aplicação: Certifique-se que o fundo escolhido seja compatível com as suas aplicações e, principalmente, com seu aporte inicial. 


  • Público-alvo: Há dois tipos de público, sendo o de investidores em geral – qualquer pessoa, e o investidor qualificado, pessoa física ou jurídica que possui mais de R$1 milhão investidos. Confirme em qual grupo você se encaixa porque geralmente o investidor comum não consegue investir em produtos voltados para investidores qualificados!


Segurança e rentabilidade

Investir em Fundos de Investimentos é algo seguro. Apesar de não ser um investimento segurado integralmente pelo FGC, há uma grande lista de regulamentações as quais cada administradora deve seguir. Entretanto, tenha em mente que quanto maior a rentabilidade, maior será o risco do investimento. Essa proporção é e sempre será a regra básica de todo o mercado financeiro.



Investir em Fundos de Investimentos

Para começar seus investimentos você precisa ter uma conta em uma corretora, pois será a partir dela que você fará a compra dos seus fundos. Além disso, você precisa estudar sobre cada fundo. Não é recomendável que você olhe apenas um indicador de forma isolada ou siga alguma indicação. O ideal é que você realize sua análise e desta forma faça as suas escolhas baseadas em seus objetivos.



Para chegar na ceia de natal deste ano com tudo

Um resuminho rápido!

Fundos de Investimentos se dividem em 6 principais categorias, sendo elas: Renda Fixa, Ações, Multimercados, Câmbio, Curto Prazo e Imobiliários. Cada fundo possui suas particularidades e agressividade, desta forma se adaptam de forma diferente a cada perfil de investidor.

Para que você possa selecionar bons fundos e que se ajustem ao seu perfil de investidor é preciso que sejam analisados alguns fundamentos e indicadores: valor patrimonial, vacância, DY, tipo de fundo, classificação de risco, prazo de resgate, histórico, aplicação e público-alvo. 

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