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Como é o lançamento (IPO) de uma empresa na B3

Os anos de 2020 e 2021 se mostraram promissores para alguns setores da nossa economia e isso pode ser visto na quantidade de IPOs que tivemos na B3.

Texto: Como é o lançamento (IPO) de uma empresa na B3
Financial Data

Você com certeza já escutou na televisão ou leu em alguma revista notícias referentes ao sobe e desce na bolsa de valores (B3), afinal, as maiores empresas do nosso país estão listadas lá. 

Uma dúvida muito comum dos investidores é sobre o processo que uma empresa enfrenta para estar dentro da B3. 

De forma resumida, é preciso fazer uma oferta pública inicial – do inglês inicial public offering (IPO) – para poder disponibilizar as famosas ações que são negociadas na bolsa.  

Mas, será que qualquer companhia pode fazer um IPO para ser vendida nesse sistema ou existem algumas regrinhas que devem ser cumpridas?

Para descobrir isso e muito mais, continue a leitura desse artigo!




Aqui você vai aprender:




O que é um IPO?

IPO é o nome dado ao evento que marca a estreia de uma empresa na bolsa de valores.

Por exemplo, vamos supor que exista uma grande empresa no Brasil chamada POSITIVE COMPANY e essa empresa queira ser negociada na B3, que é a nossa bolsa de valores. 

Para o negócio acontecer, a POSITIVE COMPANY precisará ser dividida em várias fatias. Essas fatias serão, posteriormente, chamadas de ações e estas ações serão comercializadas em regime de compra e venda. 

O espaço entre querer ser negociada na B3 e possuir ações que permitam tal desejo é chamado de abertura de capital. Se tornar uma empresa de capital aberto é o que vai possibilitar que novos sócios possam fazer parte da POSITIVE COMPANY. 

Após a abertura de capital é que o IPO acontece e a empresa começa a fazer parte dos pregões da bolsa de valores. 

Claro que as etapas entre planejamento, abertura de capital e IPO não são tão rápidas como os parágrafos anteriores possam ter dado a impressão – apesar de ser possível diminuir a extensão do processo. 

Vamos entender melhor como!


Oferta pública 

O IPO como a gente conhece acontece de fato quando há uma oferta pública de ações. Uma oferta pública significa que todos os investidores poderão participar do IPO e posteriormente, poderão participar das negociações do ativo estreante no mercado secundário. 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição responsável por regular o mercado de capitais, diz na instrução 400 que dispõe sobre a oferta pública de valores mobiliários, que qualquer investidor pode participar do IPO que está inserido nesta instrução. 


Oferta restrita  

Já as ofertas iniciais restritas são exclusivas para investidores qualificados ou profissionais, que são os investidores que possuem mais de 1 milhão e 10 milhões de reais declarados em investimentos no mercado financeiro, respectivamente.

Essa regra consta na instrução 476 da CVM, que dispõe sobre as ofertas restritas. 


Qual é a grande diferença entre as duas?

Além do público-alvo, a maior diferença entre um IPO e uma oferta restrita é o processo. Um IPO é bem mais demorado e burocrático. 

A PWC, empresa de consultoria especializada em operações de IPO fez um levantamento que mostra que o tempo entre a preparação até a efetivação de um IPO pode durar um pouco mais de 27 meses, isso porque há uma série de documentos, auditorias e requisitos que a companhia precisa preencher.

Já na oferta restrita o procedimento é encurtado. A empresa não precisa fazer registro na CVM e nem apresentar o prospecto (vamos entender estes pontos mais a frente).


Como sei se a empresa está fazendo um IPO ou uma oferta restrita?

No site do relacionamento com o investidor (RI) de cada empresa é disponibilizado uma lâmina com as informações sobre o tipo de oferta que a empresa está realizando.

Além disso, no site da B3 é possível conferir as ofertas públicas que estão em andamento


Por que as empresas realizam um IPO?

O principal motivo que leva uma empresa a fazer um IPO é a captação de recursos, mas não se resume somente a isso. 

Confira abaixo as motivações e os benefícios proporcionados por um IPO


Geração de Caixa

Normalmente, uma empresa gera receitas através do lucro do próprio negócio ou de financiamentos que ajudam na expansão da marca. 

Porém, essas formas possuem um custo elevado de geração de receita. 

O gasto para emitir ações pode ser mais barato do que os citados acima e o retorno é muito mais rápido. 

Se o investidor acreditar nos fundamentos e no planejamento da companhia, ele pode se tornar sócio do empreendimento a um custo acessível e ainda contribuir com o seu crescimento. 

Como diz o ditado, todos saem ganhando. 


Transparência

Quando uma empresa decide abrir capital, precisa adequar todos os seus processos de acordo com a Lei Nº 6404, de 15 de Dezembro de 1976, também conhecida como a Lei das SA. 

A gestão, o planejamento e os resultados da empresa devem ser cristalinos para que os investidores interessados possam decidir se devem ou não se tornar sócios. 

Essa transparência é positiva porque eleva a confiança da marca perante a sociedade, além de contribuir com a visibilidade da mesma, afinal de contas, uma empresa de capital aberto acaba virando pauta no mercado financeiro. 


Liquidez

Ao comprar um ativo, o investidor recebe um pedacinho da empresa através das ações e a empresa recebe o dinheiro. Isso gera liquidez (velocidade na qual se transforma algum bem em dinheiro) para os donos da companhia. 

E por que a liquidez é importante? Para os sócios significa que eles terão dinheiro em caixa para dar sequência na estratégia que motivou o levantamento destes recursos. 

Para os novos investidores, caso o IPO seja um sucesso, a ação se valorize e os fundamentos sejam fortes, a tendência é que o volume de negociação aumente e proporcione liquidez para todos que fizerem parte do negócio. 

A liquidez garante que o investidor não termine com um elefante branco nas mãos.


Redução do Custo de Capital

O objetivo de qualquer empresa é gerar lucro porque sem ele, o empreendimento se torna inviável. Em uma gestão competente, os donos sabem qual deve ser o tamanho do lucro para que a empresa se pague e não fique no negativo.

O montante necessário para “se pagar” é o chamado custo de capital. A empresa deve ser capaz de gerar pelo menos o valor correspondente ao que foi investido para custear suas operações. 

Ao emitir ações, o empreendimento consegue acessar capital por um custo muito mais baixo e essa redução é benéfica para a saúde financeira da empresa. 


Obrigações da empresa para fazer um IPO

Como já citado anteriormente, o processo para realizar um IPO é extremamente burocrático. 

A natureza jurídica da empresa deve ser a de Sociedade Anônima (SA) porque é esse tipo societário que permite que o capital seja dividido em ações que serão posteriormente negociadas com outros investidores.

Os relatórios financeiros precisam ser auditados por outra empresa independente, a governança corporativa, gestão fiscal, os processos internos e a estrutura societária devem estar em pleno funcionamento e em conformidade com a Lei das SA. 


Passo a passo para estrear na B3

A duração do processo vai depender de quão adequada a empresa já se encontra para fazer o IPO. 

Caso não tenha nada pronto e parta do zero, o processo pode se arrastar por até três anos (isso justifica o porquê de algumas abrirem mão do IPO para fazer uma oferta restrita). 

Estes são os pontos que devem ser observados quando pretende-se abrir capital em uma oferta pública na bolsa de valores:


Planejamento | Preparação | Auditoria

Nessa etapa é definido as particularidades da operação. Quantas ações serão disponibilizadas para o mercado? De quanto será o montante captado? Qual será a valoração da empresa?

É aqui que o processo pode se estender também, isso porque uma empresa que deseja realizar um IPO precisa apresentar o balanço dos últimos três anos auditados de forma independente. 

Se isso já estava sendo feito, o caminho é encurtado, mas caso precise começar do zero, é a obrigação dessa legislação que pode fazer com que o processo seja mais longo. 


Reuniões de Apresentação (Roadshow)

Ao decidir por um IPO, a empresa precisa escolher uma instituição financeira para guiar as operações. Essa instituição financeira será responsável por elaborar apresentações para grandes investidores e fundos de investimento com o objetivo de captar interessados a entrarem no negócio. 


Registro na CVM e listagem na B3

Será preciso fazer um registro de empresa de capital aberto na CVM e pedir autorização para fazer as operações de venda de ações ao público interessado. É preciso também solicitar a listagem da empresa na B3, a nossa bolsa de valores.  


Prospecto

Como é que você escolhe se investe em algo ou não? O fator decisivo deve ser o seu nível de conhecimento sobre o negócio. O prospecto é um documento onde a empresa detalha as informações mais importantes sobre si, o setor de atuação, os riscos e as perspectivas do mercado.


Reserva e bookbuilding 

Em uma oferta pública de ações, o investidor pessoa física pode fazer uma reserva indicando quantas ações gostaria de adquirir no IPO (é preciso verificar se a sua corretora está participando da reserva e como você pode fazer essa reserva. O procedimento pode variar de uma corretora para outra). 

Já o bookbuilding é a ferramenta usada para precificar os ativos. Os investidores institucionais – que na maioria das vezes decidem participar de um IPO na reunião de apresentação – informam a quantidade de ações que desejam comprar e qual a faixa de valor estão dispostos a pagar. 

Com essas informações a empresa consegue determinar o preço de abertura do IPO


É vantajoso investir em IPOs?

Depende de vários fatores. 

A renda variável por si só já apresenta um certo risco por causa das oscilações normais do mercado. 

Agora imagine uma empresa nova listada na B3 que você não tem noção de como se comporta diante dessas oscilações normais ou até mesmo em uma crise mais forte.

O risco aumenta, certo? 

Então, é preciso estudar muito bem a empresa, o setor no qual ela está inserida, os concorrentes e as perspectivas do mercado. Aqui vale dar uma olhada na opinião dos especialistas e analistas também. 

Obter repertório através dos seus estudos e dos estudos de terceiros vai te ajudar a construir uma visão mais sólida sobre o IPO.

Além disso, é importante também entender qual é o seu objetivo. 

Existem os famosos caçadores de IPO que gostam de especular. Nada de errado nisso, porém exige uma experiência maior e uma boa gestão de riscos. 

Lembre-se também que no começo a liquidez da empresa pode não ser muito alta, por isso é importante definir o seu objetivo – seja de curto, médio ou longo prazo. 


Como o investidor pode participar de um IPO?


1- Tenha conta em uma corretora de valores

O primeiro passo é possuir conta em uma corretora de valores. Aqui no blog da Positive nós temos um post incrível para você conhecer 7 corretoras para começar a investir.


2- Acompanhe as empresas que estão abrindo capital

No site da B3 é possível conferir as ofertas públicas que estão em andamento

Depois de fazer essa conferência, faça uma análise das empresas e leia o prospecto. Essa parte vai demandar muita leitura e senso crítico. Evite seguir a manada e procure construir a sua própria opinião. 

Entenda o porquê de você considerar investir em uma determinada companhia. Fazer uma 

lista de prós e contras pode ajudar nessa etapa.


3- Faça a reserva

Se a sua corretora estiver cadastrada para participar do IPO, entre em contato com o atendimento para saber como você pode participar. Cada corretora possui o seu próprio procedimento. 


4- Faça o pagamento

Você precisa ter saldo na conta da corretora para que o processo de reserva seja concluído. Só após o pagamento é que você será detentor ou detentora dos ativos da empresa. 


Para a economia de um país o IPO é positivo?

Com certeza. Existem algumas sutilezas por trás dos IPOs. 

A empresa só abre capital na bolsa caso perceba que o ambiente está favorável tanto para o mercado como um todo, como para o seu setor de atuação. 

Em 2020, por exemplo, tivemos várias empresas de tecnologia e logística (Locaweb, Meliuz, Sequoia) que abriram capital na B3 impulsionadas pela alta que tivemos no começo daquele ano – ainda em um período pré-pandemia -, e que conseguiram manter esse crescimento após as medidas de prevenção ao covid-19 já que os setores de tecnologia, transporte e logística se beneficiaram com o aumento do número de pessoas trabalhando em home office. 

Ainda em 2020, o número de investidores pessoa física na B3 cresceu vertiginosamente, o que ajuda na liquidez da nossa bolsa e reflete o crescimento da renda variável no país. 

Em um ambiente de recessão, dificilmente veríamos tantas empresas abrindo capital para uma oferta pública por dois motivos: o processo de um IPO é caro e em uma recessão o nível de consumo tende a diminuir. As pessoas guardam mais dinheiro por medo do que pode acontecer. 

Para efeitos de comparação, nas bolsas norte-americanas estão previstos mais de 60 IPOs entre outubro e novembro de 2021. 

O Brasil atingiu a marca de 40 IPOs em agosto de 2021 – ou seja, levou oito meses para fazer o que os Estados Unidos fez em um. 

Essa discrepância evidencia também as diferenças entre a economia de um país considerado de primeiro mundo e um emergente que está sofrendo com alta da inflação, tensões políticas e aumento da taxa de juros.


Grandes sucessos e fracassos de 2021

A tabela abaixo mostra cinco grandes sucessos e cinco grandes fracassos de IPO ou de oferta restrita em 2021 – até o momento em que esse texto foi escrito no dia 20 de Outubro de 2021.

O levantamento foi feito levando em consideração o preço de fechamento do dia 19 de outubro de 2021.


OS CINCO MAIORES SUCESSOS DE IPO OU OFERTA RESTRITA EM 2021 DO MERCADO DE AÇÕES NA B3

VAMO390,13%
INTB363,80%
GGPS335,56%
CBAV329,96%
ARML324,92%

OS CINCO MAIORES FRACASSOS DE IPO OU OFERTA RESTRITA EM 2021 DO MERCADO DE AÇÕES NA B3

MBLY3-73,82%
OPCT3-64,83%
MOSI3-57,59%
NINJ3-55,93%
DOTZ3-54,80%

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