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Análise MGLU3: o crescimento estratégico da Magazine Luiza

O crescimento estratégico da Magazine Luiza é um grande exemplo de como uma boa gestão pode mudar o rumo do jogo. Confira a análise de MGLU3!

Análise MGLU3: o crescimento estratégico da Magazine Luiza
Fonte: Infomoney

“A queridinha da bolsa de valores”. Esse provavelmente é um dos títulos de favoritismo que a Magazine Luiza/Magalu ou, para nós investidores, a MGLU3 recebeu nos últimos anos. Seu processo de crescimento é digno de ser valorizado e falado por todos, pois devido a ótima gestão estratégica ela saiu do hall das microcaps e em 5 anos se tornou uma das blue chips.

Quem está chegando agora no parquinho de diversões conhecido como bolsa de valores pode não entender o que fez a Magazine Luiza ser o brinquedo favorito dos investidores. Mas, neste artigo você poderá descobrir como ela se tornou a maior empresa de varejo da nossa bolsa de valores.


O que você vai aprender:


 O que é a Magazine Luiza

A Magazine Luiza é, atualmente, uma das maiores empresas do setor de varejo atuantes no país. Seus empreendimentos começaram em 1957 na cidade de Franca (SP) com a fundação de Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato. A primeira loja era focada em presentes.

Com o início da estratégia de expansão, a primeira aquisição aconteceu em 1976 onde foram  inauguradas as primeiras lojas da rede em cidades do interior de São Paulo, dando o start a um novo planejamento da empresa. Em 1991, Luiza Trajano, sobrinha da Luiza fundadora, assumiu a liderança da empresa e iniciou o processo de informatização da empresa, no qual conta com a abertura do primeiro e-commerce de varejo do país em 2000.

A estratégia expansionista da empresa seguiu durante os próximos anos com a criação de produtos, otimização do atendimento ao cliente, novas aquisições e, um dos destaques, a criação de estratégias de marketing online e offline bem sucedidas.

Na bolsa da valores

Após o seu IPO (processo de abertura de capital na bolsa de valores) em 2011, a empresa que passou a ser conhecida no mercado de ações pelo ticker MGLU3, não estava entre as favoritas e também não era considerada uma small cap – empresa com um grande potencial de crescimento. Além disso, não era cotada para ser uma futura blue chips – nome dado a empresas que possuem bons fundamentos e estão estabilizadas no mercado. São conhecidas por serem as gigantes do mercado

Apesar da descrença do mercado, a Magalu causou espanto pela sua reviravolta nos últimos 5 anos. Apesar do seu desenvolvimento e pioneirismo em muitas inovações, a empresa esteve à beira do colapso entre 2011 e 2015, sofrendo sérios impactos da crise econômica de 2014. Em 2015 houve a grande virada estratégica, o que iniciou o caminho da empresa para o favoritismo na bolsa de valores.

Em 2015 a Magalu passou a ser considerada uma small cap. Atualmente é entendida pelo mercado como uma blue chips. É a sexta maior empresa da bolsa de valores brasileira. Em 08/07/2021 o valor de mercado estimado de acordo com o portal TradeMap é de mais de R$147 bilhões.

1959O casal Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato inauguram uma pequena loja de presentes em Franca (SP).
1976Com a aquisição das Lojas Mercantil, o Magazine Luiza abre as primeiras filiais em cidades do interior de São Paulo.
1991Luiza Helena Trajano, sobrinha da fundadora, Luiza Trajano Donato, assume a liderança da organização.
1992As primeiras lojas virtuais foram inauguradas.
2000É lançado o site de comércio eletrônico www.magazineluiza.com.br
2003Aquisição da rede Lojas Líder, da região de Campinas (SP). A Magazine Luiza é considerada a melhor empresa para trabalhar no Brasil – a primeira varejista do mundo a receber esse título do Instituto Great Place to Work.
200846 lojas são inauguradas no mesmo dia na cidade de São Paulo, e mais de 1 milhão de novos clientes são conquistados.
2010Chegada ao Nordeste com a aquisição da rede Lojas Maia, com 136 unidades.
2011Ano da Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), quando a Companhia passa a ser listada na BM&FBovespa. A empresa adquire a rede Baú da Felicidade.
2015Transformação Digital: Lançamento da nova versão do aplicativo Magazine Luiza para mobile. Implantação do Mobile Vendas em 180 lojas.
2016O Magazine Luiza é a empresa de capital aberto que mais se valorizou  no mundo. Todos os vendedores atendem utilizando um smartphone, pelo aplicativo do Mobile Vendas. Lançamento da plataforma de Marketplace, cerca de 50 parceiros passam a vender seus produtos dentro do site do Magazine Luiza.
2017Magazine Luiza lidera o ranking da Bovespa por mais um ano. Empresa faz oferta de ações e arrecada R$ 1,8 bilhão. Frederico Trajano é apontado como empreendedor do ano pela IstoÉ Dinheiro. Reality show do Magazine Luiza, o Missão Digital, estreia na Rede Globo. Empresa cria canal de denúncia interno. Magazine Luiza adquire a Integra Commerce e o laboratório de inovação do Magazine Luiza chega a mais de 450 engenheiros e especialistas que trabalham para tornar as operações do Magazine Luiza cada vez mais digitais. 
2018Magazine Luiza vira Magalu. Empresa adquire a startup de logística Logbee. Campanha do 7 x 1 é dos destaques do marketing brasileiro e Magalu é a empresa que mais vende televisores para brasileiros assistirem à Copa do Mundo. Campanha do “Eu Meto a Colher, sim” é lançada. Empresa é apontada como uma das mais inovadoras do Brasil pela revista americana Fast Company. O app do Magalu é um dos mais bem-sucedidos apps de compras do Brasil, com 26 milhões de downloads e uma participação de cerca de 40% dos pedidos online da companhia.
2019Magalu adquire a Netshoes, maior e-commerce esportivo do Brasil, e, no mundo físico, inaugura sua milésima loja. Empresa faz oferta de ações e arrecada mais de R$ 4 bilhões de reais. Na Black Friday, protagoniza um show ao vivo na tevê, a “Black das Blacks”. Sua marca vira uma das trinta mais valiosas do País. Primeiro Expo Magalu, evento para vendedores, reúne milhares de pessoas em São Paulo. Empresa entra no Pará. Frederico Trajano é apontado como executivo do ano pelo Valor Econômico.
2020Magalu iniciou o ano com a aquisição do marketplace de livros Estante Virtual. Frente as limitações de isolamento impostas pelo combate à disseminação da covid-19, a empresa acelerou seu processo de desenvolvimento e implementação do Parceiro Magalu. MagaluPay foi lançado como nova funcionalidade do superaplicativo da companhia.
2021Novas aquisições seguem sendo feitas.

Gestão

A gestão da Magazine Luiza está em sua terceira geração familiar, passando por Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato, seguido por Luiza Helena Trajano –atual presidente do conselho de administração da empresa, e hoje conta com o administrador de empresas Frederico Trajano Inácio Rodrigues como CEO e nome que está levando a Magalu junto a  nova estratégia de transformação digital da empresa.

De acordo com o portal de Relação com o Investidor da MGLU3, “a principal estratégia da Companhia para os próximos cinco anos é a transformação digital. Nosso objetivo é transformar o Magazine Luiza, passando de uma empresa de varejo tradicional com uma forte plataforma digital, para uma empresa digital, com pontos físicos e calor humano”.

A estratégia de transformação digital adotada pela empresa é a grande responsável pelo boom de investimentos no qual ela tem passado. Em 2015, a virada de chave se deu a partir do lançamento do aplicativo mobile e do impulsionamento do setor de inovação da empresa, o LuizaLabs, que conta com cerca de 500 profissionais focados em encontrar soluções tecnológicas para otimizar e melhorar as entregas aos clientes.

A tecnologia aliada ao foco no cliente faz com que as ações que vão desde o relacionamento nas redes sociais, passam pelas vendas nos espaços digitais e vão até o pós vendas façam da empresa um destaque não só na bolsa de valores, mas também no dia a dia do consumidor. Alguns dos projetos já desenvolvidos pelo LuizaLabs são os aplicativos Mobile Vendas, Mobile Estoquista, Mobile Montador e o projeto Lu Conecta. 

Análise MGLU3: o crescimento estratégico da Magazine Luiza
Foto: RI MGLU3

As estratégias adotadas pela MGLU3

A estratégia de transformação digital causou um bom espanto no mercado. Foi a partir da análise de tendência de como o mercado de consumo se desenhava, que a empresa iniciou muitos processos pioneiros e conquistou um lugar privilegiado na vida do consumidor.

O Digital construindo novos cenários

Segundo a 32.ª edição do estudo anual do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em junho de 2021, no Brasil, cada brasileiro possuía em média 2 dispositivos digitais por habitantes, algo em torno de 440 milhões de dispositivos em todo o país. Além disso, de acordo com a Pesquisa Nacional de  Amostras de Domicílios (PNAD) , desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ), em 2019, 82,7% dos domicílios brasileiros possuíam acesso à internet. 

Esses números apresentam a importância e necessidade da presença nos meios digitais. Em 2020, esse cenário se tornou ainda mais forte com a pandemia, que evidenciou a potência que o digital possui. Com a estratégia visionária da gestão da MGLU3, que já previa avanços no digital, a empresa se tornou ainda mais forte.

Os 5 pilares da transformação digital

A transformação digital da empresa se baseia em 5 pilares, sendo elas:

Inclusão Digital: tem como objetivo ensinar e incentivar o consumidor a se digitalizar. Esse processo se inicia dentro das lojas e nos demais canais onde a empresa está presente.

Digitalização das Lojas Físicas: esse processo de digitalização é um dos pilares que encontramos presentes a muitos anos nas lojas, mas com a atualização das tecnologias a empresa utiliza de app como Mobile Vendas, Mobile Estoquista e Mobile Montador para melhorar a experiência do consumidor otimizando o seu tempo de compra, entregas e rotas de montagem.

Multicanalidade: conhecido também como omnichannel, é uma das partes em que a empresa mais se destaca e tem se fortalecido. A multicanalidade se trata da convergência de todos os canais de contato com o cliente como lojas físicas, lojas digitais, e-commerces e apps.

Transformar o Site em uma plataforma digital: se trata do movimento de vender produtos de outros varejistas, distribuidores e canais de venda direta de indústrias dentro do modelo de marketplace da empresa.

Cultura Digital: a cultura de inovação tecnológica e digital é um forte braço dentro da empresa. Essa cultura potencializa o objetivo de sempre estar buscando por soluções digitais inovadoras e a frente dos seus concorrentes.

Análise MGLU3: Como foi a crise para a Magalu

Análise MGLU3: o crescimento estratégico da Magazine Luiza
Gráfico de desempenho MGLU3 entre mar/20119 e jun/2020 | Fonte Tradeview

Diferente do comportamento da crise de 2014, a MGLU3 se comportou muito melhor que o esperado. Com seu amplo foco no meio digital e sua gestão com senso de urgência apurado e rápido, a empresa se recuperou e segue se recuperando com uma base forte. Os bons sinais de recuperação já se deram nos primeiros meses após o início da pandemia, observe: 

Antes do decreto da pandemia em março de 2020, em 17/02/2020 as ações MGLU3 estavam sendo negociadas a R$14,45. Após seis meses, passando pelos caóticos meses de março e abril onde as ações chegaram a estar na casa dos seis reais (valor corrigido de acordo com o desdobramento que aconteceu em outubro de 2020), em 17/08/2020 o ativo já estava sendo negociado a R$20,37. Apresentando assim uma recuperação e avanço mesmo no cenário de crise.

A crise de 2020 possibilitou com que a empresa expandisse e desse mais fôlego para a sua estratégia, o que fez com que ela passasse à frente dos seus concorrentes em um momento em que muitos deles não estavam preparados para um cenário como o que ocorria. Apesar da vacinação e de uma volta muito lenta à normalidade que aos poucos vem se construindo no país, a empresa ainda se destaca dando novas perspectivas para o varejo no Brasil. 

É válido lembrar que a concorrência está se tornando mais acirrada com a chegada de capital estrangeiro e com a busca pela inserção no espaço digital que as demais empresas do varejo estão fazendo. Entretanto, com a característica e confiança que a empresa transmite, pode se entender que a presença deles ainda não tem atrapalhado os planos e que o crescimento segue forte, tanto em números na bolsa, quanto nas lojas e tecnologias. 

Comportamento do mercado: simulação de um investidor paciente 

Apesar do cenário pandêmico enfrentado desde março de 2020, os investidores que tiveram boas estratégias e mantiveram a paciência, puderam obter bons lucros com os ativos MGLU3. Abaixo é possível ver a representação destes ganhos:

Nesse exemplo, observa-se o recorte de período de 20 de julho de 2015 a 20 de julho  de 2020, durante esse período de exatos 5 anos há um crescimento de 29.314,28%, saindo do preço de R$0,07  para R$20,52. (o preço foi corrigido pelo desdobramento realizado em Outubro de 2020).

Vamos a estimativas:

Caso um investidor fizesse a compra de 10 lotes de 100 ações em 20/07/2015 ele faria um investimento de R$70,00.

Se efetuasse a venda desses ativos em 20/07/2020, retornaria ao seu bolso R$20.520,00, menos o valor inicial de R$70,00, o investidor teria de retorno R$20.450,00.

Analisando um cenário mais atual, vamos olhar o recorte entre 20/03/2020, momento crítico de baixa da crise de 2020 para a bolsa, comparando com o dia 20/06/2021. Uma temporalidade de um ano e três meses entre as datas.

20/03/2020 – R$7,64

20/06/2021 – R$21,25

Se fossem comprados 10 lotes (1000 ações) em 20/03/2020 o investimento seria de R$7.640,00. Se esses lotes fossem vendidos em 20/06/2021, o retorno seria de R$21.250,00. Subtraindo o valor inicial, o lucro seria de R$13.610,00, uma valorização de 278,14% em 15 meses.

*Esses valores são hipotéticos e não estão levando em conta os emolumentos, taxas e/ou impostos.
*os dados utilizados para essas comparações foram extraídos do histórico de cotações do site Infomoney e Tradeview e já estão corrigidos com o desdobramento de outubro de 2020.

O que penso sobre a MGLU3?

Análise MGLU3: o crescimento estratégico da Magazine Luiza

A Magazine Luiza é uma empresa que tem excelentes fundamentos. A forma como o conselho gere a empresa no que tange a estratégia visionária é muito boa porque eles são pessoas muito rápidas, estratégicas e que estão sempre olhando à frente da concorrência. Essa gestão rápida justifica o crescimento que percebemos nos últimos anos.  

Podemos identificar que é uma empresa que não parou no setor varejista. Ela é abrangente em suas estratégias ocupando espaços como a criação de conteúdo, cosméticos, roupas e sapatos e etc., essa abrangência atrelada com a visão sistêmica mostra a vontade e o objetivo de sempre estar na frente.

Com relação aos papéis da MGLU3, já entrando no mercado secundário, temos que falar que uma coisa todos os investidores concordam, o crescimento da MGLU3 ficou marcado na história da bolsa de valores. Com a virada de chave em 2015, os anos se passaram e os papéis da Magazine Luiza se esticaram e valorizaram muito, fazendo com que algumas pessoas ganhassem muito dinheiro. 

Ao analisarmos graficamente, só era possível ver uma tendência de alta, só conseguimos ler no gráfico essa tração se desenhando. Essa valorização se estendeu por muito tempo até mesmo durante a pandemia, que foi sentida, porém se comparado com as outras empresas ela sentiu muito menos. 

Portanto, mesmo sentindo o impacto ela já está reagindo e seguindo com o processo de aquisições e expansão. Um exemplo é a aquisição da startup Juni, que é focada na melhora da taxa de conversão em e-commerce, no último dia 08/07/2021, o que demonstra o compromisso da empresa em obter resultados ainda melhores no digital.

No longo prazo a Magalu segue bem interessante mesmo não sendo ainda uma empresa que paga bons dividendos em razão desse processo de crescimento que ela se encontra. 

Em suma, é uma empresa que apresenta bons fundamentos, a gestão é muito coerente e no longo prazo deve continuar valorizando os seus papéis.

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