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O mercado financeiro e a grande queda do IRBR na B3

O caso IRBR foi um dos grandes destaques no mercado financeiro em 2020 e segue tendo desdobramentos e uma recuperação singela em 2021.

O que foi o caso IRBR na B3 e como evitar ser engolido pelo mercado financeiro
IRB Brasil Resseguros possui mais de 80 anos de atuação e teve sua entrada na bolsa de valores brasileira em 2017.

Conhecido como um dos grandes escândalos de governança dos últimos tempos, o caso IRB Brasil na bolsa de valores brasileira deixa muito aprendizado. O primeiro deles é a necessidade de observar como o mercado está agindo e ser capaz de entender se aquele comportamento faz jus ao cenário.

O segundo é sobre emoções. A IRB chegou a ser cotada como uma das empresas mais interessantes do mercado em 2019, atingindo números recordes de valorização e, com os sucessivos problemas, o que era desejado por muitos, passou a ser repudiado. Uma verdadeira montanha russa de sentimentos.

Quer entender melhor o que aconteceu com a maior resseguradora do país e como não ser engolido pelo mercado financeiro? Segue a leitura que eu conto para você.




O que você vai ver aqui:




Conheça os principais personagens

Antes de começarmos a explicar e esclarecer os lados dessa história, você precisa conhecer quem são os personagens que fizeram esse ser um dos maiores escândalos de governança corporativa do país.


IRB Brasil RE

Fundada em 1939, a empresa se intitula a “líder do mercado nacional”, com mais de 80 anos de atuação no mercado, contou com participação estatal até julho de 2019, sendo que o BNDES e o BB Seguridade eram detentores de 11,7% de participação nos ativos da empresa. Chegou a ser cotada como a queridinha dos investidores e pertence ao chamado “Novo Mercado”, que é considerado o mais alto nível de governança e transparência dentro do sistema da B3.


Squadra Investimentos

A Squadra Investimento é uma gestora de fundos de ações e publica cartas como forma de orientação aos cotistas sobre o posicionamento quanto às estratégicas que serão adotadas pela gestora nos próximos meses. A Squadra é o principal antagonista ao IRB Brasil diante do contexto imposto pelo cenário. É válido reforçar que o fato dela ser antagonista nesta história não quer dizer que ela tenha agido de má fé, mas sim por ela estar do lado oposto ao da empresa.


Berkshire Hathaway 

Liderada pelo considerado maior investidor dos últimos tempos, Warren Buffett, a Berkshire Hathaway é uma gestora que se tornou peça chave devido aos anúncios feitos pelos principais líderes da IRB Brasil. A empresa, situada nos Estados Unidos da América (EUA), foi taxativa ao se posicionar em relação às ações da IRB. 


O que foi o caso IRBR na B3 e como evitar ser engolido pelo mercado financeiro
IRB distribuiu aos acionista lista que contava com a empresa de Buffett como acionista da IRB.| Foto: Infomoney

Agora que você já tem conhecimento dos principais personagens deste grande caos do mercado financeiro, está pronta/o para entender o que fez a IRB Brasil RE sair do posto de queridinha do mercado. 


Erros no balanço, anúncios falsos e escândalos

Tudo começou em 2 de fevereiro de 2020. Nesta data, a Squadra Investimento lançou uma das suas cartas direcionada aos cotistas apresentando a posição como vendida em relação ao ativo IRBR3. Além disso, questionava os lucros excepcionais que a empresa vinha apresentando nos últimos balanços.

Após os questionamentos, a IRB acusou a gestora Squadra de insider trading – quando o investidor possui informações privilegiadas e as utiliza para obter benefícios.  A carta levou a empresa a sair da casa dos R$40 para o patamar de R$30. 

Neste ponto se encontrou o primeiro grande erro a ser identificado por nós acionistas. Ao contrário do que se esperava, a IRB falhou no quesito transparência, deixando muitas dúvidas aos seus acionistas. Longe de efetuar uma reunião junto a todos os interessados, a empresa se manifestou apenas para os clientes da empresa, falhando duramente no quesito básico de governança, a transparência.

Em 9 de fevereiro uma nova carta foi divulgada pela Squadra. A gestora explicou em 50 páginas os motivos da sua posição de acreditar que os lucros divulgados pela empresa eram inferiores aos reportados em suas demonstrações financeiras.


“Em nossa opinião, existem indícios que apontam para lucros normalizados (recorrentes) significativamente inferiores aos lucros contábeis reportados nas demonstrações financeiras da Companhia. Essa disparidade entre lucro contábil e lucro normalizado foi crescente durante o período e atingiu sua maior diferença nos resultados trimestrais mais recentes. Não estamos afirmando que há razões legais ou regulatórias que exijam a divulgação de tais lucros de modo diferente ao realizado pelo IRB. Nossa intenção aqui é justificar aos senhores nossa opinião de que há uma grande disparidade entre preço e valor nas ações do IRB, causada principalmente por uma percepção de parcela do mercado sobre a sustentabilidade dos seus elevados níveis de retorno sobre o capital.”

Squadra, Carta aos Cotistas de 2019


No dia 10 de fevereiro, as ações da IRB Brasil RE (IRBR3) fecharam em R$33,01, apresentando uma queda de 16,49%, sentindo de maneira intensa os questionamentos feitos pela Squadra e também tendo reflexos da omissão diante dos seus investidores.

Em 27 de fevereiro, ocorreu uma das grandes declarações feitas pela IRB, onde fez circular a informação que a Berkshire Hathaway havia triplicado sua posição no ativo IRBR3. A tabela que inicialmente circulava entre os acionistas, foi obtida e divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo. Essa movimentação fez com que as ações tivessem uma valorização de mais de 6% no período da divulgação.

Entretanto, a alegria em torno do ativo durou pouco. Cerca de uma semana após os burburinhos relacionados a posição da Berkshire Hathaway no ativo, o grande empurrão ladeira abaixo chegaria. Em 3 de março de 2020, a empresa de Buffett afirmou: “Não tenho, nunca tive, nem penso em ter participação no IRB”. A partir deste ponto estava assinada a sentença da IRB Brasil. 

Após o comunicado a IRBR3 sentiu a queda de 25%, fazendo com que vários integrantes do alto escalão da empresa saíssem de seus cargos. No dia 4 de março de 2020 a empresa já era negociada a R$19,05.

Ao fim do mês de março de 2020, novos desligamentos foram reportados, levando a empresa a ser negociada a R$7, culminando no pior cenário da empresa até aquele momento.

Após dois meses conturbados, o mês de abril parecia ser uma calmaria em meio ao turbilhão de problemas. Essa calmaria durou pouco tempo, pois já no início de maio novos capítulos do escândalo de governança surgiram.

Em 11 de maio de 2020, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) instaurou uma investigação contra a resseguradora por insuficiência de provisões e 15 dias depois a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um inquérito para investigar o conflito de interesses com a Squadra Investimentos, além de investigar a falta de transparência na divulgação de resultados da IRB. Para fechar o mês de maio, no dia 29, a AM Best rebaixou o rating de A para A-, trazendo para a empresa mais problemas ligados à confiança. Os inquéritos da CVM seguem em andamento, como comunicado em nota.

Em junho, as primeiras ações para reviver a confiança do mercado financeiro começaram a serem tomadas pela a companhia. Após assembleia, a empresa anunciou mudanças no Conselho Administrativo e na Diretoria Executiva. As mudanças não foram muito motivadoras e não causaram o efeito que deveriam.

No início de julho, a IRB anunciou a abertura de um processo de responsabilidade contra os ex-funcionários José Carlos Cardoso e Fernando Passos, respectivamente CEO e CFO, devido às informações falsas sobre a participação da Berkshire Hathaway no quadro de investidores da empresa.

Após todo esse movimento caótico, a companhia IRB Brasil Resseguros vem aos poucos se ajustando. Seus resultados recentes vêm apresentando pequenas melhorias, além disso, os ajustes internos em sua gestão tem surtido efeito, mesmo que ainda singelos. 

Os ativos da IRBR estavam sendo negociados, no momento do fechamento deste texto, a R$5,20, com uma alta de 0,97% na variação intradia. De acordo com o portal Trademap, a variação anual do ativo é de -30,82% e a mensal de -10,67%.


Como o mercado financeiro agiu no caso IBR

O mercado financeiro pode ser reativo e nas ações isso pode ser sentido de maneira mais forte do que em qualquer outra ponta. É o caso da IRB Brasil Resseguros que saiu do completo paraíso dos investimentos, para o purgatório onde pagaram e ainda pagam pelos erros de uma má governança.

No gráfico a seguir é possível verificar claramente como o mercado agiu de forma reativa a cada parte da linha do tempo do caso da resseguradora. O cabo de guerra entre gerar confiança e a falta de transparência fez com que os investidores agissem em movimento de retirada do ativo.


Gráfico geral do ativo IRBR3. | Fonte: Tradeview

Você pode perceber nessa história que alguns pontos são muito importantes para que seus investimentos não entrem em ciladas como essa. Primeiro, busque se certificar que as empresas possuem uma transparência real, certifique-se também do histórico e de como pessoas experientes estão se posicionando em relação ao ativo que você está analisando. 

Casos parecidos como o do IRB já se repetiram na bolsa, como os escândalos da JBS e Embraer, estes que também apresentaram corrupção e problemas na governança corporativa. Percebemos que não há como estar 100% blindado contra esse tipo de acontecimento, o que faz ser necessário ter atenção aos movimentos do mercado, a fim de possibilitar que você possa tomar decisões rápidas e certeiras.


O mercado financeiro hoje e o IRB Brasil RE

Em 17 de agosto de 2021, foi reportado ao mercado, através da divulgação dos resultados trimestrais referentes ao segundo trimestre de 2021, um prejuízo líquido de R$206,9 milhões, uma redução de 68,5% ante aos R$656,7 milhões de um ano antes. Um resultado animador, já que significa que a empresa está entregando resultados menos piores. Em geral, os números apresentados pela empresa são otimistas, mas o mercado ainda apresenta cautela diante da recuperação da empresa.
Apesar do sinal de melhora, em 22 de agosto de 2021, a Squadra Investimentos reforçou novamente a sua posição de vendida acima da companhia IRB. De acordo com a carta  publicada, o valor contábil da ação continua caro. Apesar de reafirmar sua posição, a Squadra reconhece os esforços da nova gestão para reerguer a empresa


 “Em paralelo ao prejuízo acumulado pela companhia nos últimos trimestres, resta claro que a nova estão tem trabalhado para endereçar os problemas herdados e colocar em prática um plano abrangente de reposicionamento estratégico e comercial. A expectativa de participantes do mercado é que essa fase em algum momento cesse e a companhia volte a apresentar resultados positivos.” 

Declara a gestora.


Um fato importante a ser ressaltado é a posição de Luiz Barsi, um dos investidores mais importantes do cenário nacional  De acordo com o site Infomoney, o investidor tem visto uma grande janela de oportunidade acima da empresa e, atualmente, possui uma posição acima de 1,5% na resseguradora.

Podemos compreender que os próximos trimestres devem ser bem significativos para o futuro das ações IRBR3, pois será neles que o mercado buscará formas de dar base a confiança que vem de modo singelo se construindo. Resta a você investidor o papel de acompanhar os novos capítulos que devem seguir essa história.

Qual a minha opinião sobre esse caso?

O que aconteceu com a IRB mostra que não tem como não acompanharmos uma empresa. Quando chegam informações aqui pra gente, muita coisa já aconteceu.

Então, é importante acompanhar a empresa principalmente na análise gráfica, porque a informação chega no gráfico antes mesmo de chegar até nós.

E como isso acontece?

Algumas informações privilegiadas são vazadas. As pessoas que tiveram acesso a essas informações, tomam uma atitude e, nessa tomada de ação, na análise gráfica você consegue identificar se algo está acontecendo.

Esse caso também deixa claro para nós, investidores, que não tem como falar “vou investir no longo prazo, então não preciso colocar stop e não preciso fazer um gerenciamento de risco porque confio na empresa”.

Afinal, não tem como você confiar 100% em uma empresa se não tem acesso a todas as informações sobre ela.

Fica ai o ensinamento da importância de acompanharmos as companhias nas quais alocamos o nosso rico dinheiro.

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